18.10.08

Vingança I


[vontade de virar essa mesa em cima dela e dar um tapas nessa vadia pra ver se ela aprende a não torturar homens indefesos. porra! toda mulher sabe que homem não fica sem trepar. e eu estou porque ela fecha o cerco a minha volta. estava acima de todos os meus limites e isso estava mais que claro a ela. pensei seriamente em levantar e sair batendo os pés, mas, se eu não entrasse no jogo dela, fico sequer sem a chance de come-la. vou tentar.]- Por que estamos juntos se a única coisa que nos une não existe há três semanas?- Ah, não sei. O que é o que nos une?
[que joguinho mais sem vergonha! filha da puta. eu te cato. eu já sei que toda essa sua angelicalidade era proposital para que eu fique aos seus pés. essa vadia não quer foder no sentido gostoso, agora vai se foder no pior dos sentidos]

- Sua boceta e o meu pau. Em outras palavras, sexo.
- Como assim? Eu sou apenas uma boceta pra você?
- Não, que absurdo! Como pode pensar uma coisa dessas?
- Você acabou de dizer!
- Você não é apenas uma boceta, minha querida... É uma boceta limpa! Acha que isso é fácil de se encontrar hoje em dia?

[tomei dois tapas na cara. dois tapas ardidos, velho. saí sorrindo da casa dela com as maçãs vermelhas. eu tava puto, mas sorri porque aquela vadia ta enlouquecendo. ela realmente achou que eu caí no conto da mulher pra casar? vadia não pode ser burra; essa é uma regra que não permite exceções.]

[entrei no carro, e dirigi. me mijei quando pensei nela urrando no telefone com uma amiga, ou chorando, ou fazendo qualquer merda. a máscara de santa esfarelou e ela viu realmente quem é. eu deveria voltar lá e dizer "muito obrigado por me fazer rir tanto". que otária, velho.]
[parei num posto de gasolina com loja de conveniência. fiz um desses lanches congelados, comprei um sorvete e duas latas de cerveja. na hora de pagar tive vontade de jogar o guardanapo na cara do caixa gordo e seboso, cuspir o caroço a azeitona na testa dele e sair sem pagar. fui cuzão, beleza? voltei pro carro e abri o sorvete. quatro mordidas depois fiz questão de jogar o palito pela janela. e a embalagem também, porra.]

[parei na casa de um parceiro pra pegar uns vídeos e resolver parcialmente minha seca de três semanas. quem abriu a porta foi a prima dele. ganhei a noite, velho! essa vadia adora ser puta! provoca até o pau explodir. ao contrário de outras que só sabe provocar, ela banca a putisse.]
[pra ser vadia além de inteligente, tem que ser gostosa, dar bem e bancar provocações. aprendam a regra gatinhas ;) ]

Carpe diem especial: em Neverland não existem conseqüências.

3.8.08

Medos sem nexos: apenas complexos.

Nos remotos tempos da semana passada, quando eu tinha espinhas explodindo por todos os poros e me vestia como um guri, eu madrugava olhando as estrelas do telhado e voltava pouco antes do amanhecer para escrever e ir pra escola do Ensino Médio. Por conta dos meus horários de resposta aos seus e-mails, ele resolveu que eu era uma corujinha. Era a primeira vez na vida que ganhava um apelido no diminutivo.

Ele foi estudar no Rio de Janeiro. Comprei uma coruja para que ele sempre lembrasse de mim, mas, ao embrulha-la para presente, decidi que ali começaria uma coleção. Resolvi que a melhor saída seria sacanear e comprei uma miniatura do Cristo Redentor. Sim, ele ficou puto quando recebeu a caixa com a miniatura. Nunca mais nos falamos e a coleção das corujas passa dos setenta itens de todos os tamanhos e materiais (madeira, acrílico, pedra, resina).

Eu comecei a colecionar corujas numa época que desenvolvi uma estranha fobia a aves. Na verdade não fobia, era pavor mesmo. Penas, bico, pés de dedos compridos... era insuportável de olhar. Segurar uma ave nas mãos, era um suplício.

Com o passar do tempo o pavor virou fobia e a fobia ficou "apenas" no medo. Fiz diversos testes segurando papagaios e periquitos nas mãos. Era cômico. As lágrimas saltavam aos meus olhos e minha pressão caía.

Este ano resolvi que este medo era muito besta e comprei uma calopsita um dia depois que meu irmão saiu de casa pra casar. Virou minha irmãzinha mais nova e não há sinais de medo.

Estou falando de medo porque ontem me confidenciaram o medo mais ridículo que de tão ridículo, jamais passara pela minha cabeça que alguém pudesse temer. E eu que pensei que meu medo por aves era boçal! O medo? Medo do Sol. A explicação era tão mais ridícula: “medo que de o sol caia em cima de mim, só de pensar...”, e se arrepiou todo.

Ele trabalha de madrugada, sai antes do nascer do sol, fica dentro de casa o dia todo. Se não há alternativa, anda pelas sombras. Se não tivesse confidenciado jamais eu imaginaria que a paixão pelos filmes de início de tarde era nada mais nada menos que fuga do sol.

Pode uma coisa dessas? Pode porque sempre existe algo pior.

Quando pequenos, dois dos meus dezessete primos tinham medo do vaso sanitário e usavam o jornal no chão para aliviarem-se. Claro que não pediam o jornal em qualquer lugar, apenas na casa de algumas tias e, a minha mãe era uma dessas tias. Eu me rachava sempre que algum deles passava por um aperto desses. Quisera ter filme na Pentax do meu pai para registrar um momento desses (depois que gastamos três filmes tirando fotos de um programa de televisão, ele nunca mais deixou filme na câmera). Um outro mais novinho não tinha medo de sentar no vaso, tinha medo de dar descarga. Usava o sanitário super numa boa; o problema acontecia quando terminava e tinha de dar descarga.

Depois dos quatorze anos meus primos passaram a usar o sanitário ao invés do jornal. Agora esse mais novinho ainda é perturbado pelo medo que o acompanha até hoje: ele abre a porta do banheiro, abaixa o assento, verifica o chão para ver se não está escorregadio, aperta a válvula e sai correndo. Não usa mictório. Não faz cocô se não for em casa. Ele cultiva esse medo em 26 dos seus 29 anos.

Eu fiquei sabendo que esse medo persistia quando, numa visita, ele saiu do banheiro, sua esposa pediu um momento e voltou com o barulho da descarga entregando a cumplicidade. Linda demonstração de amor. Quase fiz xixi nas calças de tanto que eu ri enquanto tirava barato do medo dele. Era ele o campeão do sarro quando o papagaio da tia voava da gaiola para o sofá e eu saía correndo quase transparente.

tsc, tsc

ograalrevela-setorturador.arecompensavalera?.aindacarpediem?

22.7.08

Amores líquidos ou amores conscientes?


Acordei aceitando um pedido de casamento. Lógico que não era de verdade porque se fosse, a resposta seria uma negativa seca e esquizofrênica.

A frieza com que toco minhas recentes relações amorosas já foi considerada como “trauma não superado”, quando na verdade, é opção; se quero não sou assim e quando realmente vale a pena me desdobro em carinhos e atenções. O valer a pena engloba recíproca, beleza e inteligência. Não cedo mais espaço para amores não correspondidos ou por pessoas que não estão “à altura” (da minha paciência).

Pedidos de casamentos vêm aos montes. São tantos que viraram piadas daquelas de mau gosto. Parece que me tornei uma espécie em extinção e minha cabeça têm valido demais pro meu gosto.

Ele ri quando o chamo de última bolacha do pacote. Sequer passa pela cabeça as botas que são distribuídas aos montes. Pode parar com o riso! Estou longe de ser ideal de qualquer coisa!

Penso que por estar sempre longe e por ser tão autêntica, verdadeira e racional é que chamo tanta atenção. É como quero ver a situação, também.

Ele possivelmente se perguntaria (ao saber como trato o oposto) “por que então é tão doce e presente comigo?”. Sou presente porque não existe o desejo de nada sério e, como eu, está só por opção.

A certeza de não ter vínculo é o maior dos atrativos, babe.

Carpe diando sem pensar no Graal. Talvez seja erro, o momento é este.

9.7.08

SMS – I really don´t mind


1 cara entrou pedindo grana no metro e dizendo q faltavam 2 reais p a merda q ele precisava, seja la qual era, pq eu n presto atencao nunca...

... olhei p ele atenta e ele repetiu o pedido cantado fingindo ter alguma doença no olho e entao entendi q ele precisava do 2 reais p completar os 21 p a passagem d volta p casa.

[bateria acaba]

[a idéia perturba, quero contar o que aconteceu]

[modo tradicional ativado]

Minutos antes do embarque, minha discussão era sobre o que são parábolas e o que são apenas histórias bíblicas. Faço sinal para que o fulano se aproxime. Ele, que estava de joelhos enquanto cantava seu pedido, levanta-se e caminha forçando um passo manco (daqueles ponto e vírgula). Digo a ele que completo o valor que falta se ele me responder corretamente o que é uma parábola. O senhor sentado ao meu lado segura um riso alto (daqueles que se a boca estiver entreaberta, voa saliva como num esguicho de mangueira).

As pessoas do vagão começam a me olhar como se eu fosse cor de laranja cheia de bolinhas roxas. O rapaz não entende e apenas faz um “não” com a cabeça. “Eu explico, tudo na vida tem um preço e o preço que esses dois reais te custarão é você me responder o que é uma parábola. Se sua resposta estiver correta, eu completo sua passagem”.

Os olhos que fingiam doença se abrem e olham para o alto como se estivessem pedindo ajuda divina. Ele pensa pouco e diz atropelado: “parábolas são histórias da bíblia”.

Sem fazer nenhum movimento com o rosto, perguntei se “essa era sua resposta final?” e, fazendo cara de besta alegre de televisão, “valendo os dois reais!”. Ele sorriu furado (faltavam-lhe uns quatro dentes na frente) e disse que sim.

Eu fechei o rosto e fixei um olhar de desprezo e disse que estava errado. “Sinto muito, mas não serei eu a garantir seu retorno pra casa”. Ele ficou parado me olhando completamente perdido no que realmente estava acontecendo e, assim que o vagão parou e abriu as portas (exatos quatro segundos depois que eu terminei de pronunciar "casa") ele saiu em disparada pela plataforma e eu não me dei ao trabalho de acompanhá-lo com o olhar.

O senhor do meu lado está louco pra falar comigo, mas antes que tome coragem de sorrir para mim, eu tiro da sacola o “Pornô” do Welsh, com aquela capa escandalosa que assusta qualquer pessoa que desconhece o autor do filho da puta do Sick Boy e cia.

Como no Escafandro e a Borboleta, minha necessidade de contar o que acabara de fazer era quase que vital, nem que para isso eu tivesse que digitar 8 SMSs selecionando letra por letra (a bateria do celular estava no osso, se não fosse por isso, eu teria feito uma ligação ou até mesmo gravado o pensamento).
Quando a bateria acabou e eu peguei o caderno de anotações, senti um calor quente no peito, um amor pela história do JeanDo, pela dificuldade do relatar. Eu, queria contar algo mínimo usando o teclado do celular onde cada letra só precisava ser selecionada. A prática permite que a “digitação” seja mais rápida que o piscar dos olhos de JeanDo.

A graça de tudo isso é que eu não faço a menor idéia da diferença entre parábolas e histórias bíblicas. Eu cabulei 95% das aulas do seminário; era mais interessante ouvir Mozart enquanto eu assistia os vídeos do Marilyn Manson no "mute" do que passar duas horas por dia aprendendo sobre religião.

Fiquei pensando se eu deveria ter dado os dois reais pro fulano, afinal, ele me garantiu quatro minutos de risadas. :D

[Náááããão]

Carpe diando assim, sarcástica, ácida e nem aí para o que chamam de ser humano. Fascista? Pode chamar, não me importo nada.

22.6.08

Sociedade do Espetáculo





O espetáculo é 'uma relação social entre pessoas, mediada por imagens”. Carrie, a protagonista do filme Sex and City (Michael Patrick King, 2008) queria uma relação estável e insinua o casamento para o parceiro que torna-se noivo naquela tarde enquanto conversavam na cozinha sobre a vida no apartamento que os dois passariam a dividir em semanas.

A imagem da mulher quarentona e solteira chamou a atenção da Editora Chefe da revista Vogue que propôs a Carrie que fizesse uma seção de fotos usando vestidos de noiva dos estilistas mais badalados de Manhattam.

Os únicos homens amigos de Carrie (um casal gay), encarregaram-se da festa de casamento para setenta e cinco pessoa, mas, que roupa a noiva usaria? “Este conjunto branco comprado na liquidação de um grande magazine”. Sim, a amiga casaria com um vestido que sequer tinha nome!

Como toda história de Hollywood, esta tem seu desfecho quando uma das estilistas dos vestidos que Carrie usou na seção de fotos da reportagem da Vogue presenteou a noiva com o item que, especulo, custar em torno dos US$ 75.000. A festa até então para setenta e cinco convidados cresceu com o novo bolo a ser encomendado; agora eram duzentos os convidados e, com uma festa desta proporção, todos os itens básicos de um “casamento histórico” estavam encomendados (da limusine até o local escolhido para a celebração da união - a biblioteca municipal-).

“A relação de imagem por ser de exclusão” e, foi exatamente o que aconteceu a nossa protagonista. O noivo que subiria ao altar pela terceira vez na vida (após dez anos de indas e vindas com Carrie) não sucumbiu a toda a exposição do casamento e simplesmente não compareceu a cerimônia. “A mercadoria ocupou totalmente a vida social”. As celebrações de casamentos se enquadram no objeto que torna-se mercadoria e, não apenas influencia como determina as relações sociais nela envolvida.
“A sociedade do Espetáculo” é escrito numa década em que a discussão tendia para as origens do marxismo ocidental e seu reflexo no socialismo soviético. Para Rebourd, o “espetáculo deve ser destruído para a força revolucionária da mudança se impor”.

“O espetáculo não é apenas imagens, mas relação entre pessoas mediadas pela imagem”. A imagem do casamento tradicional requintado somado ao vestido da estilista famosa mudaram todos os planos e condicionou as relações que estava firmemente definidas (não apenas entre noivos, mas principalmente nas amigas que passaram a mediar suas próprias relações pela experiência de Carrie).

O filme tem seu “feliz para sempre” tipicamente hollywoodiano ao fazer uso da imagem que "os sentimentos estão acima de qualquer coisa na vida"; principalmente da independência da Mulher XXI.

Carpe diem de universitário é assim!
Ps: A acumulação dos espetáculos na sociedade faz parte do indivíduo ou o indivíduo cedeu sua autonomia para esse universo de culto às imagens?

13.3.08

Ter mais do que ser.




Por tempos acreditei que as pessoas fossem boas. Não acredito mais nas pessoas, acredito em mim e isso me parece mais que suficiente.

Ouvi a seco que sou ingênua. Possivelmente sou. Não faço o mal e nem mal algum (nem a mim mesma), logo, não tenho idéia do que as pessoas são capazes. Isso é mau? Até que ponto isso me beneficia? Continuarei sem fazer o mal, então, como posso saber do que as pessoas são capazes? (capazes de fazer contra a minha pessoa, porque só isso importa.)
Eu sempre incomodei. Quando era adolescente e me apaixonava, as garotas mais velhas seduziam meu pupilo apenas para me deixarem triste; (e conseguiam, tenho que admitir, eu sou pra valer.) quando me interessava por um curso, todos a minha volta também se interessavam e passavam a competir comigo.

Por que incomodo tanto? Por que é tão saboroso me vencer? Eu sou "na minha". Equilíbrio incomoda tanto assim? E eu nem sou tão estável como gostaria! Possivemente esse mundo caótico, fez da minha normalidade motivo pra inveja assassina. As pessoas estão tão baixas a ponto de alguém como eu ser considerado tão especial assim? O que eu tenho que atraí tanto? Sim, eu pergunto abertamente porque não sou extraordináriamente bonita ou inteligente, nem me acho especial!
Quer saber? Que bom, não estava disposta a explicações.

Carpediando e cheirando o Graal que parece próximo, mas dizer que está é perdir para o quadro perpetuar.

27.2.08

Cheia dos Carpe Diens...

Detesto pessoas feias e desconhecidas; detesto ainda mais quando elas me fitam sem pudores em qualquer lugar que eu esteja. Saí da cama num mau humor desprezível. O mau humor era tanto que até eu mesma não suportava minha presença. Cheguei mais cedo na empresa pra correr, mas o bode berrava tanto que resolvi tomar um banho gelado de quarenta minutos. Acha que hoje é um dia pra pensar em uso consciente dos recursos naturais? ***

Engordei. Pra mim foi muito; para os guris que me cercam, eu poderia estar mais cheia. Estava eu tão anoréxia assim? Lembro que cheguei a numeração 40 da Hering que costuma ter tamanhos menores que os das outras lojas e agora retomei ao meu 44 convencional e 46 da Hering. Não tenho vontade de malhar e nem de comer salada todos os dias. Regime? Eu deveria ter começado um há tempos como deveria ter abandonado a escrita em computadores e resgatado a máquina de escrever do fundo do porão. ***

Tenho dores de cabeça constantes e tonturas sempre que faço qualquer movimento mais brusco. Durmo 12 horas seguidas sem sentir o corpo repousar. Estou há quarenta minutos no maldito call center do convênio pra marcar uma consulta com um neurologista e a vaca da atendente me desliga o telefone na cara quando ela atende. A maior das desgraças são profissionais incompetentes. ***

Passei duas horas lendo antigas postagens em busca de qualquer coisa que encaixasse no momento atual. Buscava pelo resgate, pela preguiça, pela insegurança que não tenho e o incômodo que não tê-la me traz às vezes.
Definitivamente vivo um novo momento e possivelmente, positivamente único. O ontem não se encaixa mais e isso me apreende. Apreende porque o ontem sempre se encaixou no amanhã. ***

Meus primeiros estilos de escritas foram descaradamente plagiados do Tom. Lembrei de como era importante tê-lo sempre por perto, mesmo desestabilizando tudo. Ficava emputecida quando ele me seguia ou seguia o Fernando. Fiquei incomodada com uma suposição feita no dia em que contei ao Fernando o que me abalava. “Possivelmente a esposa e a mãe o convenceram de dizer que ele morreu apenas para não existir mais contato entre vocês”. Se isso for realmente verdade, como estará ele depois de tantas mudanças? Saberia ele das minhas mudanças? Como reagiria ao me ver vestida de rosa? Não sei nem o que pensar. Não deveria pensar nele! Afinal, se decidiu morrer, é porque eu causava muito mal a sua sanidade. ***

Esse é o Carpe Diem: sem lógicas modestas.